Especial Contos de Halloween – A Esposa do Diabo

por há 1 ano e 377 leituras

– Venha, eu não vou lhe machucar – disse o homem. – Sou inofensivo, só quero brincar com você.

Minha visão estava turva, não deveria ter aceitado aquela bebida mais cedo. O barulho alto da festa retumbava em meus ouvidos.

– Você está bem? – perguntou ele.

Olhei ao redor, já não sabia onde estava além da voz dele e do barulho de pedras e areia, havia um silêncio sepulcral. Um balanço contínuo deixava-me enjoada.

O local comprimido trancava minha respiração, deixando-me sufocada. Rapidamente sentei-me e subitamente bati com a cabeça, fazendo com que volte a ficar deitada. Deduzi, finalmente, que estava em um carro.

– Para onde vamos? – perguntei, mas foi tão baixo que não fui escutada.

Tentei novamente, dessa vez mais alto, reunindo toda a minha força.

– Para onde estão me levando?

– Calma princesa – disse o homem, a voz dele invadindo minha cabeça e martelando meu cérebro. – Nós só vamos te mostrar uma coisa legal.

Tentei sentar novamente, dessa vez com sucesso. Minha cabeça rodava e, com isso, eu fiquei tonta. O homem olhou para trás e, ao ver que me encontrava sentada postou-se ao meu lado.

Minha consciência estava voltando gradativamente e, se fosse preciso, já estava pronta para agir.

O carro parou e o motorista, que permaneceu todo o tempo calado, desceu. O homem que estava ao meu lado desceu e abriu a porta do meu lado puxando-me brutamente para fora. O local estava todo iluminado por tochas e, de dentro do porta-malas foi retirada uma maleta. Em cima de uma pedra havia uma toalha branca com um desenho que não consegui decifrar.

O homem começou a conduzir-me agarrando-me pela mão.

– Veja só, a princesa tem força – disse o homem enquanto eu apertava sua mão. – Certo tá apertando – falou ele tentando desvencilhar-se da minha mão.

Comecei a apertar cada vez mais forte até que ouvi um estalo e o homem ao meu lado gritou.

– Essa louca quebrou minha mão, que droga! – praguejou ele.

O outro homem, que até então não havia falado nada, pronunciou-se:

– Johnny! Como tu deixa uma guria destas te machucar assim? Ela não deve nem conseguir levantar um galho – e puxou-me pelo braço.

Desci minha mão até a sua e, concentrando-me, aqueci meu pensamento e faíscas começaram a surgir. O homem olhou para mim com um rosto estranho e apavorado.

Como um passe de mágica, sua manga começou a queimar e, rapidamente, o fogo se alastrava pelo seu cabelo, devorando seu corpo. Johnny olhou para a situação e, apavorado, começou a correr.

Rapidamente olhei para ele e mexi a cabeça fazendo, com isso, com que ele caísse. Fui me aproximando dele, que apavorado recuava atirado no chão. Reparei que ele se rastejava em direção a uma faca. Acelerei o passo e fui em sua direção pegando a faca e para evitar que ele fizesse algo, quebrei suas duas pernas de modo com que ele sentisse a maior dor possível.

Arrastei-o para o carro e, dessa vez, quem estava no comando era eu.

Chegamos em um chalé abandonado que eu conhecia há, mais ou menos, 350 anos.

O homem viu-me mexendo nas coisas que ali estavam com a maior naturalidade e começou-me a indagar:

– Quem é você? – e corrigiu a pergunta logo. – O que é você?

Deveria saber com quem está mexendo antes de fazer algo. E, falando isso, amarrei-o em uma cama, totalmente nu.

– É uma pena que tenha que fazer isso – disse. – Você tem um bom conteúdo no meio das pernas.

Segurei seu pênis e aproximei-me com o rosto. Ele, ficando cada vez mais excitado, começou a se endireitar. Coloquei seu membro na minha boca e ele logo gemeu, dando, em seguida, um dos maiores urros que já ouvi. Quando olhei para ele, ele estava apavorada.

Dei um sorriso e retirei seu membro decepado de minha boca. Estava com os dentes sujos de sangue, não podia mais parar até que o matasse.

– Cale a boca, seu estúpido – disse, enfiando seu membro em sua própria boca.

Ele murmurou algo, agora incompreensível e abafado.

Fui até a cozinha e peguei uma panela, a mais funda que tinha, e coloquei em baixo dele.

Com o auxílio de um alicate, comecei a arrancar unha por unha com ele gritando cada vez mais.

O local fétido estava auxiliando muito, ele não conseguia respirar direito.

Após terminar de arrancar suas unhas, cravei o alicate onde, há pouco tempo, estava seu pênis. Ele gritou.

Sorri e peguei a faca que estava com ele mais cedo. Com uma profunda gargalhada, enfiei a faca onde estava seu coração e, com medo no olhar, ele parou de bater. Estava completo.

*************

– Por onde andou, Fran? – perguntou Pedro.

– Ah, estive por aí. – respondi.

– Foi divertir-se, não? – ele insistiu.

– Se sabe a resposta, por que ainda pergunta? – respondi, já irritada.

– Queria confirmar – ele disse. – O que me trouxe?

E, após falar isso, tirei o que um dia foi Johnny de dentro de um saco mínimo.

– Eu nunca vou entender como tu consegue fazer isso – disse Pedro.

– Quando se tem um trato com o Demônio, – disse – tudo fica possível. Desde que se cumpra o trato de ambos os lados. Ou como tu acha que eu fico jovem e linda assim há mais de três séculos?

Pedro riu e, tendo seu alimento em mãos, assumiu sua forma original.

Eu que nunca iria entender ele, afinal, ele era o próprio Diabo e ainda ria de si mesmo.

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