Especial Contos de Halloween – Chama Cruel

por há 8 meses e 432 leituras

Correu a lâmina enferrujada de seu estilete amarelo pelo pescoço gordo do homem que estava sentado na sua frente.
Não pensava que matar era tão divertido. Quando criança, julgava quem matava, e veja onde está hoje.
Enquanto utilizava a parte “sã” do pescoço do homem para limpar sua lâmina favorita, recordava-se de todas as coisas que já fizera.
Saiu do carro do homem na maior tranquilidade possível, sem expressar emoção alguma e caminhou em direção ao outro lado da avenida, assoviando e fazendo os carros pararem e buzinarem. Sorriu e tomou o seu rumo.
Quase chegando em seu destino, pegou seu celular e ligou para seu cliente.

– Feito – disse ele, desligando na mesma intensidade que havia desligado.

Aquela semana estava cheia, corrida e lucrosa.
Chegou na casa de seu cliente, tocou a campainha e aguardou, recebendo, em seguida, um saco com dinheiro. Pelo peso, devia estar certo. Ninguém seria louco de jogar com ele.

Ele vinha notando há um tempo que seus clientes estavam um pouco estranhos, mais que o nomal até.

Os dias foram passando, cada vez mais atolado de tarefas.

Em uma tarde, recebeu uma ligação importante, a mulher do outro lado estava soluçando de tanto chorar.

– Que-quem fa-fala? – perguntou ela.

– Funerária São Luís, – respondeu o homem – posso ajudar?

– Eu quero contratar um serviço – disse a mulher. – Para o assassino do meu marido.

Então marcaram um ponto de encontro, combinando o que deveria ser levado.

Chegando ao local, o homem encontrou o que foi solicitado: um envelope, com todas as informações, foto e a causa da morte a ser constatada.

Matar nunca havia sido tão fácil e tão divertido. Sua renda dependia disso.

E, chegado o dia marcado para a morte, o homem se vai rumo ao destino, novamente.
Uma praça pública que nunca tem ninguém nas manhãs de quarta-feira, exceto sua vítima que mora por perto e passa lá sempre.
A hora estava chegando, precisou estudar muito pra entender a rotina daquele homem.
No exato momento que havia decorado, o homem passou e, então, foi atingido por um tiro certeiro na testa, entre os dois olhos.

Um barulho ensurdecedor começou a soar e luzes começaram a piscar. Viaturas se aproximaram e cercaram a praça.
O homem, que trabalhava apenas com certezas, havia levado apenas uma única bala.
Quando foi rendido, sem esforço algum, o homem começou a rir de modo louco e foi levado à prisão.

Lá, foi espancado e torturado, estuprado e humilhado até não aguentar mais. Os policiais, com raiva do maior assassino em série que existia na cidade, o levaram para o pátio no dia 24 de junho, o homem enlouquecido cada vez mais.
Sem mais o que fazer, os policiais o amarraram em um um pau cravado ao chão e o homem começou a cantar, algo impossível de decifrar.

Chamas começaram a surgir e, subitamente, seu corpo começou a ser carbonizado. Um cheiro fétido e doce começou a subir cada vez mais e, quando estava completamente queimado, com apenas suas cinzas no chão, para deixar os outros ainda mais estupefatos, uma ventania começou a levantar suas cinzas, formando um corpo e, após, levando tudo para longe.

Naquela mesma noite, todos da prisão morreram queimados, incluindo os policiais.
As famílias dos detentos e dos policiais começaram a morrer também e, todas as mortes, acidentais e envolvendo fogo.
Reza a lenda que todo o incêndio que existe no mundo, o espírito vingativo do homem que causou.

Ed

Olá, mundo, eu sou o Eduardo! 15 anos, capricorniano, estudante e colaborador na área de filmes desde agosto/2016. Apaixonado por livros e filmes, quero fazer letras e, um dia, quem sabe, algo mais. Gaúcho de Pelotas, viciado em café e música, não consigo deixar de escrever algo, nem que seja em um guardanapo. Grande abraço, mundo!

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