Orange is The New Black, comentário.

por há 3 anos e 280 leituras

Confira a sinopse e comentário das duas temporadas do sucesso do canal Netflix.

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Sinopse:

“Baseada no livro homônimo de Piper Kerman e adaptada porJenji Kohan (Weeds), a série acompanhará Piper (Taylor Schilling), uma moradora do Brooklyn cuja relação com Alex (Laura Prepon), uma traficante na faculdade, resulta em sua prisão e detenção em uma penitenciária federal. Sem qualquer experiência para lidar com o novo ambiente, Piper mergulha na cultura das prisões femininas e encontra aceitação, lágrimas e amor entre as detentas.”

Comentário que inclui as temporadas 1 & 2:

Não há muito o que enrolar quando se trata de Orange is The New Black. Até porque a própria série é assim mesmo: direto no ponto. Por outro lado há mais conteúdo a ser debatido sobre ela do que um simples comentário conseguirá conter. Mas vou me esforçar.

Vou começar dizendo que OITNB é uma série que deveria ser assistido por todas as mulheres do mundo. Minha humilde opinião, mas realmente acredito nela. Mas, não só pelas e para mulheres, a série tem o trunfo de conseguir agradar qualquer sexo, idade ou individuo que valha. Uma das coisas que mais me chamou atenção na série é como ela parece não se esforçar o mínimo para ser algo que ultrapassa limites, que queira ser “edgy” ou algo assim e, no entanto, consegue ser exatamente isso.

Começando pela personagem que nos apresenta a série e a maioria das suas situações, Piper Chapman, baseada na real Piper Kerman, que como a própria sinopse já diz, se envolve com uma mulher pouco depois de sair da faculdade e acaba quebrando leis por isso, indo parar, alguns anos depois e enquanto já está noiva de um rapaz chamado Larry, numa prisão de segurança mínima em NY… E como a própria insiste em dizer, por amor. No entanto isso é discutível, o que é o charme da série. Nada ali é passível de aceitação, você deve e pode enxergar cada historia individual de acordo com a sua própria bagagem de vida, o próprio roteiro te convida a fazê-lo.

Aliás, o roteiro de OITNB é um dos pontos mais altos da produção – junto com seu elenco carismático e entrosado – que utiliza de forma brilhante o recurso de flashbacks para revelar aos poucos traços e fatos da historia pessoal de cada uma das mulheres retratadas, que ao primeiro olhar parecem personagens extremamente caricatas e aos poucos vão se revelando para o espectador, envolvendo-nos completamente.

Unindo agora alguns dos pontos que já citei, explicarei porque penso que toda mulher – e repito, não apenas elas – deveria assistir OITNB: nunca, na minha vida, vi um retrato que se não é real (não sou mulher, não posso dizer com certeza) ao menos explora aspectos da vida feminina sob prismas que parecem ainda ser muito obscuros em tudo o que a TV e cinema produz para o grande publico. Honestamente, posso dizer que sou um homem que se preocupa com a forma que a mulher ainda é vista na sociedade. É uma opinião bem pessoal, vejam bem, mas a maioria das pessoas que me inspiram todos os dias são mulheres, as minhas heroínas, não heróis – apesar de que obviamente eles existem – então não consigo pensar que a liberdade feminina também me afeta não apenas como homem, mas como ser humano.

A atriz Laverne Cox (Sophia Burset)

A atriz Laverne Cox (Sophia Burset)

Como já dito, as personagens da série parecem extremamente caricatas no inicio, mas assim que os episódios vão se desenrolando, é possível identificar traços pouco explorados – ou explorados com afetação, ou mesmo com uma carga de importância que apesar de ser apreciada não chega a ser necessária – da sexualidade feminina. De seu mundo. Dos seus medos e principalmente da sua personalidade e do que elas são capazes. Há a super mãe, há a romântica, a que não liga a mínima, a bissexual, senhoras, uma transexual… Sophia Burset, aliás, é um dos personagens mais legais de toda a produção. Antes casada e com uma esposa, um filho e “pai de família”, ela finalmente conseguiu assumir sua transexualidade e acabou pagando um preço amargo pela liberdade de sua própria identidade. No presídio se torna a cabelereira do lugar e em um episódio protagoniza uma das cenas mais legais das duas temporadas quando explica ao bando de mulheres do lugar como funciona seu próprio órgão sexual e a localização do clitóris – quando nem as próprias “mulheres de nascimento” conseguem entrar em consenso sobre sua própria anatomia e intimidade. A atriz transexual Laverne Cox – que tem um irmão gêmeo que chega a interpretar o “eu masculino” de sua personagem, olha só que coisa mais genial – está inclusive colhendo cada vez mais vitorias para a comunidade LGBT e especialmente para os trans que ainda são tão esquecidos ou ignorados nos debates, além de ser a primeira mulher transexual a aparecer na capa da revista TIME, ainda foi indicada ao Emmy pelo seu desempenho. É muito amor por essa mulher! <3

Como disse, Orange is The New Black consegue render parágrafos e mais parágrafos com debates acerca de dezenas de tópicos e a intenção desse comentário não é ser completo, não conseguiria – os comentários estão livres para quem quiser apontar ou opinar sobre qualquer coisa ;-)

No mais, fica a dica.

Muak!

Johnanttan

(colunista até agosto/16)Formado em Comunicação Social, 23 anos, orgulhosamente goiano e completamente apaixonado pela cidade em que vive – Goiânia.
Amante da música, livros, cinema, moda e a pluralidade cultural brasileira =] (colunista até agosto/16)

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