Resenha de Contos de Horror do Século XIX.

por há 5 anos e 1694 leituras

horror livroMinha resenha do livro Contos de Horror do Século XIX, publicado pela editora parceira Cia das Letras. Veja resenha, capa, sinopse e mais detalhes:

Sinopse:

“Assim que a noite cai e os contornos diurnos das coisas e das pessoas começam a se confundir, começam igualmente a ceder as muralhas que todos nós erguemos contra o desconhecido. É a hora das sombras furtivas, dos ruídos suspeitos, quando basta um momento de descuido para que nossas apreensões e pesadelos ameacem ganhar presença palpável. É esse o domínio do conto de horror, que flerta com essa zona cinzenta e incerta de nossas vidas e a transforma em literatura. Nesta antologia de Contos de horror do século XIX, o escritor Alberto Manguel reuniu, especialmente para o público brasileiro, a fina flor do medo. Tão antigo quanto a civilização, o conto de horror define suas regras e chega a seu apogeu na literatura anglo-saxônica, na linhagem de escritores que vai da “gótica” Ann Radcliffe a Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft. Mas Manguel não se contenta apenas com os mestres mais conhecidos do gênero, como Henry James, Guy de Maupassant ou Robert Louis Stevenson. Convoca escritores de toda estatura e de várias línguas, do português de Eça de Queiroz ao íidiche de Lamed Schapiro. Nesse percurso, o leitor transita por todos os ambientes e resvala em todos os motivos do conto de horror: igrejas em ruínas, subsolos pútridos, jardins ermos, prisões e campos de batalha, criaturas invisíveis, mortos-vivos, animais espantosos e espelhos encantados. Tudo isso em sua poltrona preferida, em (relativa) segurança, desfrutando ainda do último charme deste livro: novas traduções de todas as narrativas, cada uma a cargo de um nome expressivo da cultura brasileira contemporânea. ”

Resenha:

Resenha feita por Flávia, Colunista da área de Filmes:

Contos de Horror do Século XIX é uma coletânea de contos de horror escolhida a dedo por Alberto Manguel, escritor argentino. Manguel, como vi na biografia disponibilizada no site da Cia das Letras, é craque em antologias: “editou uma dúzia de antologias de contos sobre temas que vão do fantástico à literatura erótica. Autor de livros de ficção e não-ficção, também contribui regularmente para jornais e revistas do mundo inteiro. Atualmente vive no interior da França, num antigo priorado transformado em residência onde instalou sua vasta biblioteca.”

Manguel começa o livro com um texto de introdução de sua autoria , que nos remete às situações em que histórias de terror – ou melhor, horror – são contadas, às situações de horror, à criação do gênero e uma lúdica diferenciação entre horror e terror utilizando uma citação de Ann Radcliffe, uma pioneira do gênero:

“O horror e o terror, possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma maneira as aniquila. Nem Shakespeare nem Milton em suas ficções nem Mr. Burke em suas reflexões, buscaram no horror puro uma das fontes do sublime, embora reconhecessem que o terror é uma das causas mais elevadas do sublime. Onde situar, então, essa importante diferença entre terror e horror senão no fato de que este último se faz acompanhar de um sentimento de obscura incerteza em relação ao mal que tanto teme?”

A coletânea conta com uma seleção de excelentes contos de autores como Joseph Conrad, Jules Verne, Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant, Bram Stoker (sim, o criador do Drácula!), Eça de Queiroz, Edith Nesbit e Sir Arthur Conan Doyle (sim, o criador de Sherlock Holmes!), entre outros menos famosos mas não menos eficientes, todos traduzidos e acompanhados por um prefácio de alguma escritos brasileiro, e aí vem mais um time de feras entre as quais Milton Hatoum, Rubens Figueiredo, Moacir Scliar, e Rubem Fonseca, fazem deste livro uma obra pra lá de estrelada.

Quanto ao conteúdo, não fica para menos, é excelente, uma leitura fluida, que por não ser linear te permite escolher um conto ou um autor cada vez que abrir para lê-lo, são histórias muito bem escritas, coerentes e emocionantes, e nesse livro pode-se ver claramente a citada diferença entre horror e terror, pois suas histórias são claramente de horror, e nos mostra que hoje em dia compramos muito terror por preço de horror (que na minha opinião é muito melhor).

Recomendo este livro (ou a maioria de seus contos) para todos os públicos, desde crianças até idosos, pessoas fãs de terror e horror e mesmo aquelas que não são fãs do gênero, pois a maioria das histórias contém além da emoção, do medo, da aflição, também traz uma reflexão, um pensamento ou um aspecto muito interessante por trás da história principal. Além disso algumas histórias como A Aia de Eça de Queiroz, são bem leves, tanto que eu nem a chamaria de horror (talvez drama sim, horror não), mas isso recai na definição de Ann Radcliffe quando diz “sentimento de obscura incerteza em relação ao mal que tanto teme”.

Contos de Horror do Século XIX foi para mim uma leitura inebriante, fascinante e recomendo a todos! É uma excelente forma, para aqueles que como eu não são lá muito fãs dos clássico, só pelos clássicos de lê-los e se divertir muito! Agora curta, twitte, clique em +1 e compartilhe. Isso nos deixará felizes, mas o seu comentário é o que mais aguardamos! Comente!

Obrigada Flávia, pela belíssima resenha!!! Conheçam mais sobre nossa Colunista Flávia em Equipe, e vejam suas postagens AQUI! Comentem a resenha pessoal :)

Ju Lund

Escritora, graduanda em Artes Visuais,Téc. em turismo e hotelaria, gaúcha de Pelotas que adora assistir muitos filmes e séries de tv. Viciada em Lit. Fantástica. Fundadora do site (em 04/10) e Editora Chefe deste Portal. No Twitter @aJuLund

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3 comentários para “Resenha de Contos de Horror do Século XIX.”

Eduardo

Foi bom ter lido essa resenha porque até agora eu não saberia fazer a distinção entre o terror e o horror. Embora às vezes essas distinções podem ser arbitrárias ou elásticas.

Costumo fazer outra distinção, entre o terror sugerido e o explícito, daí eu dizer que gosto muito mais de contos que tem como foco o suspense, a tensão e o medo do que a violência. Aliás, sou mais adepto mesmo é do “terrir”, quando esse tipo de história, além de tudo, é temperada com momentos de bom humor.

Quanto ao livro, adoraria lê-lo, seria uma maneira de conhecer mais a fundo a obra de grandes autores que já li (como Eça de Queiroz) numa abordagem diferente da que estou acostumado a ver.

Esse tipo de livro inclusive deveria ser publicado numa edição bem acessível, como fazia antigamente a Ática com a série Para Gostar de Ler, como forma de fazer com que muitos leitores percam o receio ou a aversão a ler clássicos e comecem a se aproximar deles através de histórias curtas mas muito criativas.

    FlaviaFonseca

    Eduardo, adorei sua definição de “terrir” pois acho o humor um ingrediente imprescindível em todo e qualquer gênero, e concordo com você, adorava a série Para Gostar de Ler e adoro quando aproximam os clássicos do gosto jovem, pois o que muitas vezes afasta as pessoas da leitura é justamente forçar crianças e adolescentes a lerem histórias que não os atraem simplesmente por serem considerados clássicos os tornando extremamente maçantes.

Clifford Dutra

Olá, gostaria muito de comprar esse livro “Contos de Horror do Século XIX”, quem se interessar, favor entrar em contato pelo email. Obrigado

clifford.dutra@yahoo.com.br

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