Resenha de A Febre do Amanhecer, @cialetras

por há 2 meses e 169 leituras

Julho de 1945. Miklos é um jovem húngaro de 25 anos que sobreviveu ao campo de concentração e foi levado para a Suécia para recuperar a saúde. Mas logo os médicos o desenganam: ele tem os pulmões comprometidos e conta com poucos meses de vida. Miklos, porém, tem outros planos. Ele não sobreviveu à guerra para morrer num hospital.

Após descobrir o nome de 117 jovens húngaras que também se encontram em recuperação na Suécia, ele escreve uma carta a cada. Uma delas, ele tem certeza, se tornará sua esposa.

Em outra parte do país, Lili lê a carta de Miklos e decide responder. Pelos próximos meses, os dois se entregam a uma correspondência divertida, inusitada, cheia de esperança.

Baseado na história real dos pais do autor, A febre do amanhecer é um romance vibrante e inspirador sobre a vontade de amar e o direito de viver.

Quem nunca ouviu bela história de amor e pensou “Nossa dava um livro”… Gárdós foi fruto de uma dessas histórias. E resolveu contar para o mundo o que os pais tinham colocado em cartas anos atras.

“- Qual é mesmo sua profissão, Miklos?
– Eu fui jornalista. E poeta.
– Ah, um engenheiro de alma. “

No meio do asfalto pode nascer uma flor, é só existir uma semente persistente. Bom Miklos é persistente.

“Vinte cinco anos e tanta, tanta coisa ruim. Eu não tenho como me lembrar de uma bela vida familiar harmoniosa: não faz parte de minha história. Talvez seja por isso que eu procure por uma tão desesperadamente…”

Com uma expectativa de seis meses de vida e em meio ao caos, Miklos decide encontrar uma parceira, alguém que faça o fardo ser menor ou ao menos esquecido por alguns minutos.

“O médico não tinha certeza se ele havia entendido o diagnóstico, se captaram a mensagem.
Ao meu pai, o tempo interessava menos do que outras questões mais importantes, como a sua vida. “

Cento e dezessete cartas, e entre elas uma endereçada a Lili Reich, uma jovem de 18 anos. Todas com a mesma mensagem.

“Tenho a impressão, pelo nome e pela idade, que a conheço “

A cantada é de pedreiro, mas funciona em alguns casos até hoje, rs.

“- E agora vai trocar cartas com as dezoitos?
Meu pai cutucou o bolso no qual escondera a carta.
– Ela é a verdadeira.
– Como você sabe?
– Apenas sei. “

Para quem nunca trocou cartas não sabe a demora e a agonia que é, mil vezes pior que esperar o carteiro chegar com seus livros. Agora imagina isso no pós-guerra, a demora. Miklos e Lili conseguiam até brigar por cartas, coisas bobas, mas tão importantes para reacender a esperanças desse casal.

“- Eu imaginava a sua voz assim mesmo. Isso é místico!”

Esse livro é mágico. Não tem como não se apaixonar, não torcer pelo casal.

“Ontem pisei em um charco congelado,
o gelo cinza ranger.
Cuidado, se alcançares meu coração,
basta um movimento
para que estão e sobre ele
a protetora camada gélica. 

Assim, venha com a leveza de uma borboleta,
apenas com um sorriso nos lábios.
Procure você mesma, onde a dor
já se transformou em gelo.
Apenas acaricie com seu calor,
para que em meu coração vire orvalho. “

Para os que tem medo que a história se resuma a cartas, não se preocupe.

Eles se conhecem pessoalmente. A Febre do Amanhecer é uma história gostosa de seguir, amizade, amor, esperança, ciúmes e inveja… Esse casal passou por poucas e boas para o Péter vir ao mundo.

Uma lição de vida, vontade, persistência e coragem pode levar a um milagre.

Ficha Técnica: 
Autora: Peter Gárdós
Páginas:248       Ano: 2017
Skoob: A Febre do Amanhecer
Onde comprar:  Amazon// Saraiva

JuTorres

Estudante de Psicologia, paulista. Fascinada por série, filmes, livros e um bom rock...Colaboradora Oficial desde setembro/ 12. No Twitter pessoal @jupsique

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