Resenha CAGE, Andy Collins

por há 3 semanas e 99 leituras

Mentiras são fáceis de se dizer, fluem com naturalidade assim como as ondas.
Uma após a outra.
Consumindo. Afogando.
Até que chega em um ponto que você não consegue mais voltar a superfície.
É nesse estágio que me encontro.
Mas não é fácil ignorar o rosto do único homem que eu amei. Mesmo que esse rosto me atormente.
E agora meu castelo de areia será derrubado pelas minhas ondas de mentiras.
Não posso fugir.
Não posso gritar.
Não posso dizer a verdade.
Cage está de volta e meu inferno acaba de ganhar um novo significado.
Atenção: Esse livro tem conteúdo impróprio para menores de 18 anos, contendo cenas de abuso físico e psicológico e que podem deixar alguns leitores desconfortáveis. Se esse não é o seu tipo de leitura – PARA AQUI – você foi avisado. Mas, se quiser arriscar seu coração e conhecer esse lado Dark, então seja bem-vindo ao lado escuro da literatura.

Após ler essa sinopse pega as ideias mirabolantes que criou e jogue fora. Aqui não temos máfia e muito menos bandido. Andy não foi muito longe para criar. Acredito que em CAGE vemos um pouco do que acontece talvez na casa da sua vizinha, ou até mesmo na nossa… o pior monstro é aquele que trás comida para casa, que te beija depois de destruir sua alma.

Cage, Erin e Luke são personagens MUITO REAIS, tão reais que o sentimento de dor ainda está presente. Eu chorei em alguns trechos ta bom ando chorando muito,rs

A história mescla passado e presente, o que já da um emaranhado em nossa mente, teve horas que eu me achava a vilã. Erin namora Cage desde sempre, e é fofo ver os dois juntos, é o sopro depois da mordida,só adianto isso.

“A verdade é que os pais de Erin são as pessoas mais conservadoras que eu conheço, como se não vivessem nesse século. E como se não fosse o bastante, são extremamente religiosos, algo que eu nunca fui, nem minha família para ser sincero. Mas por ela, minha programação de domingo desde quatorze anos é acompanhá-la à missa.”

Tudo mundo quando Erin assume ter um caso com Luke, irmão gêmeo de Cage. Onze anos depois…

“Por anos fui apenas uma mera espectadora […]”

Muita coisa mudou.

” Eu sei que fui um pouco rude ontem, mas só fiz aquilo por sua causa. – Sua mão toca meu rosto.- Cada maldita coisa que aconteceu, foi você quem pediu. – Ele beija meus lábios e sai do quarto.”

O livro mostra muita violência domestica, por isso digo que ele tem muita realidade, o vilão não é um desconhecido… ele tem nome e pior o mesmo sobrenome.

“Impulsos, muitas pessoas são movidas por eles, a grande maioria, eu me atrevo a dizer. E isso as leva a um julgamento precipitado e consequentemente ao erro. Eu adoro a falha humana.”

Normalmente agimos sem pensar e nesses deslizes alguém pode se aproveitar. A sangue, cortes, tapas e muito mais, porém, a pior violência, a que me impactou, foi o terror psicológico vivido por Erin. É fácil jogar mil pedras, dizer que a mulher gosta de apanhar… a dependência pelo agressor, um corpo que goza durante um abuso, eu te amo, a culpa foi sua… um quebra cabeça com peças trocadas, o amor e a dor sendo alimentadas pelo mesmo crápula. Leiam essa história e entenda o que milhares de mulheres vivem.

” Acho que ficamos expert na arte de representar não é?”

Estela é a minha personagem preferida nessa história. Um livro forte, que estará com toda certeza entre os mais marcantes de 2017.

O vídeo é de Portugal, porém ilustra maravilhosamente bem a mensagem que quero passar. Você não está sozinha DENUNCIE.

Ficha Técnica: 
Autora: Andy Collins
Páginas:305       Ano: 2017
Skoob: CAGE
Onde comprar:  Amazon

JuTorres

Estudante de Psicologia, paulista. Fascinada por série, filmes, livros e um bom rock…Colaboradora Oficial desde setembro/ 12. No Twitter pessoal @jupsique

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