O Amor nos tempos de ouro, @GloboLivros

por há 1 ano e 181 leituras

Sinopse:

“”Sabes que nunca me apaixonei, maman, mas se porventura o tivesse feito, seria por alguém como ele?”
Cécile Lavigne perdeu todos os que amava e agora está sozinha no mundo. Ela, uma franco-portuguesa que ainda não completou vinte anos, está sendo trazida ao Brasil pelo único parente que lhe restou, o ambicioso tio Euzébio, para casar-se com o mais poderoso dono de terras de Minas Gerais, homem por quem Cécile sente profundo desprezo. Após desembarcar no Rio de Janeiro, Cécile ainda precisará fazer mais uma difícil viagem. O trajeto até Minas Gerais lhe reserva provações e surpresas que ela jamais imaginaria. O explorador Fernão, contratado por seu futuro marido para guiá-la na jornada, despertará nela sentimentos contraditórios de repulsa e de desejo. Antes de enfim consolidar o temido casamento, Cécile descobrirá todos os encantos e perigos que existem nessa nova terra, assim como os que habitam o coração de todos nós. Com o passar dos dias, crescerá dentro dela a coragem para confrontar todas as imposições da sociedade e também o seu próprio destino. ”

Depois de muito refletir sobre como iniciar essa resenha de O amor nos tempos de ouro, da escritora brasileira Marina Carvalho, decidi que antes de adentrarmos no universo do livro, vamos falar sobre a autora e sobre esse trabalho tão diferente de tudo o que ela já escreveu.

Eu já li todos os livros da Marina, o primeiro foi Azul da cor do Mar, que na minha opinião é o melhor livro da autora até hoje, todo mundo bem sabe que escrever um romance da atualidade é completamente diferente de escrever um romance de época, então confesso que fiquei impressionada com a capacidade de escrita da Marina, a forma como ela conseguiu escrever como se sempre tivesse feito isso, como se sua verdadeira linha de escrita fossem romances históricos.

Porém vale ressaltar que encontrei naquelas páginas não só um romance de época, mas sim um verdadeiro romance histórico, no sentido da fidelidade dos fatos, na descrição da diversidade de culturas do tempo onde o livro foi retratado. Sim, encontramos um romance lá, mas também encontramos, a cultura indígena, encontramos a cultura escrava, encontramos os costumes dos africanos, dos senhores das terras, de como era o status de importância daquele tempo.

Não fui esperando nada parecido com Lisa Kleypas (minha escritora favorita nesse estilo) e fiz bem de ir com a mente aberta, diferente da Kleypas, Marina não foca inteiramente no relacionamento de Fernão e Cécile, ela foca na forma como eram tratados todos os seres humanos naquele tempo. Então não, não temos cenas de amor repletas de detalhes, temos o início de um amor forte, porém mais inocente. Então um conselho, leia imaginado que você realmente irá entrar em um livro de história, por que convenhamos quantas histórias de amor não foram vividas de fato nos séculos passados, quantos relacionamentos entre senhores e suas escravas não acontecerá? Romances duradouros ou não entre homens sem título e mulheres cheias de classe? Então quando for ler, tenha isso em mente.

Agora vamos conhecer a história da francesa Cécile, a moça acabou de perder toda sua família em um acidente, vivendo em Marsella com sua família, quando se encontra órfã, ela e mandada ao Brasil para ficar com o único parente que tem, seu Tio Euclides que mora no Rio de Janeiro, porém desde o momento em que a menina perdeu os pais e os irmãos parece que a moça não tem tido muita sorte na vida.

Em um navio cargueiro, com uma diversidade de cultura gigantesca, ela se vê pedindo pela misericórdia divina para se livrar de viver aquela vida ingrata que só a faz sofrer. A menina além de estar indo para um país que desconhece ainda está indo como prometida de um homem que nunca viu na vida e que tem mais que o dobro de sua idade, e isso a assusta imensamente, já que a garota criada a vida inteira na França teve uma educação considerada libertina para os brasileiros. Com um pai francês que tinha caráter e que a amava acima de qualquer coisa educou a moça como educou os próprios filhos homens, não tratando ela de maneira diferente por ser mulher e prometendo que quando fosse o momento oportuno ela se casaria, mas só quando houvesse amor.

Então em meios aos devaneios e escritas em seu diário indo de encontro ao seu destino cruel, a menina conhece um padre que está indo a terras brasileiras para doutrinar tribos indígenas daquelas regiões de minas gerais. O padre em sua completa fé nas ações divinas a alerta que os caminhos mais tortuosos são os que levam para os caminhos mais felizes.

Chegando no Rio de Janeiro, junto com sua dama de companhia Marie, a única pessoa que restou de sua família, ela fica na casa de seu Tio Euclides que mostra uma falsa compaixão pela sobrinha, já na casa do tio ela sente as diferenças de cultura e hábitos de sua casa, o que deprime ainda mais a moça.

Euclides na verdade não tem afeto algum pela moça, pelo contrário acredita que seu cunhado foi um tolo por não colocar a menina na linha, aquele olhar autoritário dela lhe dava vontade de coloca em seu lugar como subordinada, inferior pelo simples fato dela ser mulher. Mas a oportunidade de ouro estava ali bem em suas mãos, ele havia arranjado o casamento para a moça, afim de conseguir a liberação da herança da menina, e com um acordo vantajoso para ele e o Velho Euzébio noivo prometido da menina.

Não perdendo tempo a moça já foi enviada para a casa de seu futuro marido. Para leva-la foi enviado por Euzébio um de seus homens de confiança Fernão, um andarilho que não seguia regras e vivia a mercê da sorte do destino, ao olhar a francesa de nariz empinado e postura de quem é dona do mundo ele previu que teria problemas no caminho que percorreriam por 12 dias até chegar as terras de Minas Gerais.

Com uma caravana com seus melhores homens lá se foram Cécile e Úrsula, sua nova dama de companhia, pois Marie havia sido arrancada de sua vida pelo maldoso e traiçoeiro tio.

Fernão observa a francesa, assim como Cécile havia de fazer o mesmo, mas ao mesmo tempo que ela tinha medo, tinha uma certa admiração pelo andarilho de pele dourada e dos olhos mais penetrantes que ela já vira na vida, ela estava cercada de homens negros que eram tratados como escravo, e isso a deixava enjoada, seres humanos são seres humanos independente de sua cor, e isso ela fazia questão de defender e deixar bem claro para todos.

Com o caminhar da viagem ambos passaram por muitas provações, mas conseguiram se conhecer um pouco mais, e a mudança que estava ocorrendo no coração de ambos não os agradava, Fernão se achava muito bruto, muito rustico, sem classe para ter o coração da moça, e a moça não poderia estar se apaixonando por um homem tão diferente do que sempre admirara.

Porém, Fernão era um homem de palavra e seu trabalho era entregar a noiva de Euzébio e assim o faria, e conseguiria tirar aquela francesinha impetuosa de seus pensamentos. O que ele não esperava e que a moça o surpreendesse com um pedido desesperado para não lhe entregar, a moça tinha medo do seu futuro que tendia a ser o mais infeliz de todos.

Não atendendo ao pedido da moça ele a deixou na mansão mas com medo decidiu permanecer por perto para observar como a moça seria tratada, mas o que ele viu foi a constatação de seu maior erro. Euzébio a diminuía, a humilhava e ele teve a certeza de que ela não sobreviveria nas mãos daquele homem sádico e doente. Fazendo o decidir algo que mudaria seus destinos para sempre, ele iria sequestra-la e leva lá pra bem longe, para que recomeçasse sua vida, aqui na França ou onde ela acha-se melhor.

Com isso depois de um episódio que levou Cécile a levar um castigo do velho, ele se pôs a elaborar os detalhes do plano para fugirem de lá, ele com mais três escravos e seus homens iriam partir para um quilombo onde ele conhecia o chefe e de lá decidiriam o que eles fariam em seguida.

Cécile mais do que feliz por ter seu destino mudado, estava ansiosa pelo momento da fuga, mas seu coração não deixava de temer como faria para estar perto do homem por quem nutria sentimentos e ao mesmo detestava. O que viria dali pra frente seria um mistério para ela, mas só de se ver livre do velho doente que infligia a outras pessoas dores pelo simples fato de terem a cor da pele negra já seria melhor o destino incerto do que essa vida cheio de crueldade.

Com o plano executado com sucesso, estavam agora Fernão e Cécile em um embate, a única coisa que a faria livre seria um casamento, mesmo que de mentira, pois aos olhos de Deus os homens não podiam ir contra. E assim foi feito o casamento, em um quilombo de escravos, abençoado pelo mesmo padre com quem Cécile viera no navio, Fernão e a francesa se casaram com uma promessa de liberdade para a moça e não de amor eterno para ambos.

Mas o destino gosta de brincar com os dois, e talvez ainda não tivessem tido a cota suficiente de desgraças infligindo suas vidas para depois viverem a felicidade plena. Então como marionetes do destino os dois apaixonados, casados lutavam contra si mesmo até perceberem que podiam perder o que tinhma de mais preciso em suas vidas um ao outro.

Mas será o destino seria benevolente com eles e lhes conceder a chance da felicidade ou a irá de Euzébio e seu filho Henrique os seguirá para sempre até acabar com suas vidas?

Com uma diversidade de personagens e personalidades os elementos criados na história nos encantam, ver e presenciar o desprezo pelos negros, a brutalidade contra os índios a indiferença pelas pessoas sem status, nos faz se encantar pela história e se encantar pelos personagens. Desdes os escravos que são fiéis aqueles que lhe querem bem, aos padres que vão às tribos indígenas, nos mostra o que há de melhor nos seres humanos.

O Amor nos tempos de ouro, é uma história de amor, mas acima de tudo é uma verdadeira demonstração da evolução da raça humana, que nos faz pensar em como crescemos como ser e quanto ainda temos a evoluir. Receber esse livro da Editora Globo Alt, foi mais que um presente é estou imensamente agradecida.

À Marina Carvalho e seu grande trabalho dou 4 xícaras de café quentinho cheio de amor.

Até Loguinho!

Fabi.

Ficha Técnica:
Autor: Marina Carvalho
Ano:2016
Páginas:328
Editora: Globo Alt

Fabiana

(Colunista até 1/8/2016)Oie, eu sou a Fabi, Fabiana, Bibi, enfim como preferir ; D . Mamy de uma menina linda, Paulista, beirando os 30 ( e quase enlouquendo com isso), Secretária formada. Minha grande paixão, obvio : Livros!!! Viciada em uma boa série um ótimo filme, troco fácil a corrida no parque pela pipoca e cobertor. Sou uma romântica incurável, acredito em Contos de fada e em Felizes para sempre, ainda acredito que o amor pode desfazer toda a bagunça que fizeram nesse mundo aqui, enquanto isso não acontece prefiro a realidade dos meus livros!(Colunista até 1/8/2016)

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2 comentários para “O Amor nos tempos de ouro, @GloboLivros”

Ju Lund

Fabi fabi Fabi… Vou resenhar em breve!
Lindo livro mesmo. Bjokas

Anastacia Cabo

Fabi adorei a resenha!!! Sempre curto romances de época e vindo da Marina com certeza deve ser coisa boa.
bjs

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