Coração de tinta, resenha.

por há 5 anos e 3715 leituras

Coracao de tintaConfiram a minha resenha do livro “Coração de tinta”, primeiro da trilogia “Mundo de tinta”, da autora Cornelia Funke.

Sinopse:

“Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante noturno finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.
É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado Coração de tinta. Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de Coração de tinta um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente seqüestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.”

Resenha:

Há algum tempo ouço falar muito bem do livro “Coração de tinta” e da autora Cornelia Funke, os livros da escritora já estavam na minha lista de desejados desde então, portanto não foi novidade que eu não tenha resistido e solicitado o mesmo à editora parceira Cia das Letras.

“Coração de tinta” é realmente um livro mágico, um livro que nos apresenta a história de outro livro onde os personagens saltam, literalmente, de suas páginas, invadindo a vida de seus leitores.

Conhecemos Meggie, 12 anos, já na primeira página, sabemos que ela mora com o seu pai e que ambos são adoradores de livros. Mo, pai de Meggie, é inclusive um restaurador de livros. Impossível já não começar a se identificar com os personagens daí, o carinho que eles mostram ter por seus livros e a quantidade em que eles se empilham por seus cômodos, me convenceu de que eu poderia fazer parte desta história.

Já nas páginas iniciais a vida pacata que Meggie e Mo aparentemente levam fica de pernas para o ar. Tudo porque um velho conhecido de Mo, Dedo Empoeirado, aparece em sua porta no meio de uma madrugada chuvosa acompanhado de sua marta (Gwin), e claro, de más notícias.

“Um pressentimento impregnado de medo espalhou-se em seu coração: o de que, com aquele desconhecido, cujo nome soava estranho e mesmo assim familiar, algo ameaçador tivesse invadido sua vida. E Meggie desejou – com tanto fervor que ela própria se assustou – que Mo não tivesse aberto a porta e que Dedo Empoeirado tivesse ficado lá fora até que a chuva o arrastasse para longe.”

É com está visita que descobrimos a existência do dom de Mo, ou língua encantada como é chamado por Dedo Empoeirado, e que há um poderoso e cruel personagem à caça de Mo à procura de um livro que está em poder dele, e seu nome é Capricórnio.

“Ele não sabe fazer nada, a não ser uma coisa: fazer as pessoas sentirem medo. Ele é um mestre nisso. Ele vive disso. Embora eu ache que ele próprio não sabe como uma pessoa se sente quando o medo paralisa os seus membros e a torna impotente. Mas sabe muito bem como despertar o medo e espalhá-lo, nas casas e nas camas, nos corações e nas mentes. Os homens dele distribuem o medo como correspondência indesejada, enfiam-no por baixo das portas e das caixas de correio, penduram o medo nos postes e nas portas dos estábulos, até que ele comece a se alastrar por si só, silencioso e fétido como a peste.”

Ainda sem entendermos bem o perigo no qual Meggie, Mo e Dedo Empoeirado estão envolvidos, pois vamos desvendando tudo aos poucos junto à Meggie, descobrimos que Capricórnio não está só na sua busca e que seus planos podem colocar não só Mo e Meggie em perigo, mas também diversos personagens de outras histórias.

Embarcamos nesta grande aventura com Mo e Meggie, mas sem demorar muito vamos somando Elinor, a colecionadora de livros, Farid, o pequeno ladrão, Resa a criada de Capricórnio, e também Fenoglio, o autor de coração de tinta à ela. Isso sem esquecer do próprio Dedo Empoeirado que se tornou um dos meus personagens favoritos na história com toda suas controvérsias, inseguranças e incoerências.

“- Não tenho mais nada para fazer aqui! (…) Ele acabou com o resto de esperanças que eu ainda tinha! Ele acha que pode fazer isso comigo. ‘Dedo Empoeirado não passa de um cão em que se pode pisar sem que ele morda’, é o que ele pensa. Só que está muito enganado.”

No meio de sequestros, fugas, leituras em voz alta, o manuseio constante do fogo, conhecemos as razões de Mo querer manter o livro sob seu poder, o porquê de Dedo Empoeirado ter entrado em contato depois de tanto tempo longe e a importância de Meggie nesta história.

Cornelia Funke nos permite viajar para diversos universos fantásticos, fazendo do nosso próprio mundo um deles, o local onde personagens de “Coração de tinta” podem conviver com os de “Ali Babá e os quarenta ladrões” e ainda com seres saídos das páginas do, também,  clássico “Peter Pan” e muitos outros.

Narrado em terceira pessoa, o livro tem ilustrações que se repetem ao final dos capítulos e que nos ajudam a visualizar coisas descritas ao longo da história, além de trazer citações e referências de diversos livros, Senhor dos Anéis dentre eles,  no inícios dos capítulos que nos dão dicas do que está prestes a acontecer, como esta abaixo, que é incrível e me fez rir horrores.

“‘Que aquele que rouba livros ou não devolve livros emprestados tenha o livro em sua mão transformado numa serpente voraz. Que ele sofra um ataque apoplético que paralise todos os seus membros. Que, aos gritos e gemidos, implore por piedade, e seu tormento não seja mitigado até que entre em estado de putrefação.’ – Inscrição na biblioteca do Mosteiro de São Pedro, em Barcelona, citado por Alberto Manguel”

Com um desenvolvimento rápido e que nos prende as suas páginas “Coração de tinta” é uma aventura infanto-juvenil que irá agradar a todos os adoradores de aventuras e fantasia. Sua história que mistura magia, o amor pelos livros e o desejo de pertencer há algum lugar me deixou encantada e certamente interessada em ler o restante da trilogia, que conta com “Sangue de tinta” e “Morte de tinta”, respectivamente o segundo e o terceiro livros, todos já lançados no Brasil pela Cia das Letras.

Não imaginem que por fazer parte de uma trilogia “Coração de tinta” deixa questões em aberto. Pelo contrário, apesar de ter um pequeno gancho, “Coração de tinta” poderia sim, ser um livro único, onde as principais perguntas são respondidas nos mostrando até uma “visão” do futuro. E se é que isso faz sentido, foi exatamente por ter um final tão fechado que eu fiquei ainda mais preocupada com o que está para  acontecer aos personagens na próxima parte da história.

Ansiosa à espera de “Sangue de tinta”! Espero em breve trazer a resenha dele para vocês. Enquanto isso leiam “Coração de tinta” e embarquem junto a Mo e Meggie neste universo fantástico.

Beijos.

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14 comentários para “Coração de tinta, resenha.”

JuLund

Tem um filme que assisti, acho que com mesmo nome…. De toda forma achei super mágico! Bela DICA :D Obrigada, Bjokas

    FranFlores

    verdade Ju, Coração de tinta já foi adaptado para os cinemas, eu confesso que ainda não assisti e por isso não saberia dizer se faz jus ao livro.
    E sim, a história contada por Cornelia é realmente mágica.
    Beijos.

JuLund

Ahhh e adorei a capa!

Lívia Prates

Eu sempre quis ler este livro (já assisti o filme) mas nunca tive a oportunidade! :(

    FranFlores

    Eu também fiquei na espera pela oportunidade de ler o livro por um bom tempo, e infelizmente não é um livro que se encontre facilmente em promoções. De qualquer forma quando tiver a oportunidade de lê-lo não perca a chance. É um livro ótimo.
    Beijos.

kamila

ruim demas

    FranFlores

    Nossa Kamila, que pena que você não curtiu.
    Beijos.

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