Caminhos Cruzados, resenha.

por há 5 anos e 1788 leituras

<Confiram a sinopse e a minha resenha do livro Caminhos Cruzados, do autor Erico Verissimo, publicado pela editora Companhia das Letras.

Sinopse: “Em ‘Caminhos Cruzados’ dramas, angústias e devaneios de vários personagens se entrecruzam na Porto Alegre da década de 30. A sonhadora Chinita emula estrelas de cinema em seu palacete prestes a ser inaugurado. Leitão Leiria não hesita em despedir funcionários para dar lugar a protegidos. Desempregado, João Benévolo imagina que é um dos três mosqueteiros. Fernanda e Noel descobrem a força e a precariedade de amar num mundo hostil. O resultado, explica Erico, é ‘uma espécie de mural pintado com pistola automática’. Ali se retratam a hipocrisia que permeia as relações sociais, o descalabro travestido de caridade, o abismo entre as classes, e a solidão e a angústia que perpassam o destino humano.”

Resenha:

Resenhar este livro para mim foi um verdadeiro desafio. Tenho uma relação muito emocional com a obra de EricoVerissimo, posso dizer que foi um dos autores que marcou e formou meu gosto literário, isto quando li Clarissa na época com 13 anos fiquei encantada com o texto de Erico, lembro que fiquei por dias relendo trechos e repensando os personagens, depois disso me apaixonei ainda mais pelos livros, e posteriormente li a maioria das obras de Erico, sendo Caminhos Cruzados umas das poucas que ainda não havia lido.

Como disse antes, Clarissa foi um livro que me marcou muito e penso que este foi um dos motivos que demorei tanto a ler Caminhos Cruzados… o próprio Erico define que Caminhos Cruzados foi sua obra de contra-ponto à Clarissa. Enquanto Clarissa foi a obra do poeta, Caminhos Cruzados foi a obra do satirista retratando as zonas sombrias da vida.

“O mundo infinito dos sonhos é tragado pelo mundo finito da realidade.” Estas palavras do autor definem bem o fio condutor do livro, Caminhos Cruzados é um retrato realista do cotidiano da sociedade porto-alegrense dos anos 30. Os personagens são construídos sem glamour ou romantização, não há herói ou mocinha, não existem protagonistas nesta história, todos os personagens são acompanhados em suas angustias e esperanças tendo igual importância na trama que se entrelaça.

“A vida, prezado leitor, é uma sucessão de acontecimentos monótonos, repetidos e sem imprevisto. Por isso alguns homens de imaginação foram obrigados a inventar o romance.

O Homem, na Terra, nasce, vive e morre sem que lhe aconteça nenhuma dessas aventuras pitorescas de que os livros estão cheios.

Debalde os romancistas tentam nos convencer de que a vida é um romance. Quando saímos da leitura duma história de amor, ficamos surpreendidos ao nos encontrarmos na vida real diante de pessoas e coisas absolutamente diferentes das pessoas e coisas das fábulas livrescas.

Repito: a vida é monótona. (…)”– pág. 299

O tom cru e por vezes ácido da narrativa me cativou e foi impossível não me apegar aos personagens mesmo aqueles que detestei. O curto período temporal em que discorre o enredo também um elemento importante, acompanhamos a trajetória dos eventos de sábado à quarta-feira, sendo que neste 5 dias a vida destes personagens toma rumos inevitáveis.

Não espere um romance convencional, com uma linha de começo, meio e fim… esta obra de Erico é contestatória até nesse aspecto, dando ao leitor o espaço para continuar traçando os caminhos desses personagens mesmo após o fim da leitura.

Escrito e publicado pela primeira vez em 1935, os aspectos centrais da trama continuam atuais e realistas, sendo uma obra indispensável para os apreciadores de crônicas da vida cotidiana.

Por enquanto é isso amores.

Beijinhos.

 

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2 comentários para “Caminhos Cruzados, resenha.”

Eduardo

São tantos livros e autores para ler que fico “devendo” a leitura de um bom número. E no caso de Érico Veríssimo a questão é mais séria, porque sei que é um autor importante e não se limita a “O Tempo e o Vento” e “Olhai os Lírios do Campo”. Gosto muito de histórias que conseguem traçar um painel da sociedade, seus indivíduos, seus dilemas e problemas, então muito provavelmente irei gostar desse livro, se algum dia tiver a oportunidade de lê-lo. Nem a forma heterodoxa me assusta, já li alguns livros sem pé nem cabeça e sobrevivi a eles…

JuLund

A capa do livro me parece ser tal qual o texto. Me agrada crônicas de 1935!!! Gostei!

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