Entrevista com Leo Lopes, Rio: Zona de Guerra, @AVEC_editora

por há 3 anos e 180 leituras

Confira entrevista concedida pelo autor nacional Leo Lopes, criador da distopia Rio: Zona de Guerra que foi publicada pela Avec Editora. Você pode conferir a resenha do livro AQUI e pode adquirir o livro AQUI.

Leo Lopes

 

* Em primeiro lugar gostaria de dizer que adorei o livro! Li em poucas horas e foi emocionante acompanhar a trajetória do Freitas e agradeço por conceder essa entrevista.

Oi, Patrícia. Que bom que você gostou! Obrigado por ter dedicado seu tempo a ler o livro e ainda mais por divulgá-lo. De antemão, peço mil desculpas pela demora em responder a entrevista. Ando atarefadíssimo no meu trabalho e estou com filho de 8 meses em casa, perdido ainda nessa loucura que é ser pai pela primeira vez ;-)

Pergunta: Quando surgiu a ideia para este livro? Você se inspirou nas distopias do momento ou já tinha em mente um enredo envolvendo um mundo pós-apocalíptico?

R.: Eu comecei a escrever esse livro há muitos anos atrás, muito antes dos atuais protestos que tiveram lugar em várias cidades dos país. A idéia surgiu quando eu ia da Barra da Tijuca para as aulas de minha primeira faculdade, em Piedade. Para chegar lá eu pegava um ônibus e fazia um parte do trajeto de trem. O choque de realidade e a percepção do abismo social que existia entre locais tão próximos deu origem às ideias que se transformaram no livro.

Pergunta: Freitas tem uma personalidade tão marcante, você se inspirou em alguém para cria-lo?

R.: Eu acho que o Freitas é uma reunião de tudo o que as pessoas querem ver num herói. Ele é essencialmente bom e não tem medo de fazer o que for necessário para fazer valer o que acha certo, mesmo que tenha que quebrar todas as regras. Eu gostava muito de uma característica das antigas edições do rpg Dungeons & Dragons, que era o alinhamento. Ele definia uma linha de comportamento que o personagem deveria seguir em função de sua personalidade. O Freitas seria um chaotic good.

Pergunta: O cenário foi todo inspirado no Rio de Janeiro, você teve dificuldades para tornar a cidade tão “zona de guerra” quanto necessitava para o livro, ou já tinha este cenário todo construído em sua mente?

R.: Até pelo meu processo de escrita, veio vindo aos poucos e naturalmente. Foi só uma questão de pensar o que aconteceria com determinados cartões postais da cidade se eles ficassem abandonados pelo poder público e à merce de hordas de gangues. Nada do que eu escrevo é muito programado ou tem um roteiro certo. Quando eu começo a história não sei como ela vai acabar. Eu defino apenas personalidades para os personagens e uma premissa básica da história. O que escrevo são as decisões que acho que cada personagem teria em cada situação em funcão de seus históricos e personalidades. O pano de fundo, que no RIO: Zona de Guerra é a própria cidade, vai sendo pintado em função disso.

Pergunta: Este vai ser um livro único ou você pretende nos mostrar um pouco mais sobre a vida nas zonas de guerra?

R.: Sinceramente, eu criei essa história para ser um livro único, mas não descarto a possibilidade de uma continuação ou até de um livro que se passe num momento anterior. Poderíamos ver Freitas trabalhando em uma polícia corporativa junto com o Rocha, quem sabe? Mas antes disso eu quero escrever sobre outros assuntos.

Pergunta: Você já tem algum outro projeto em mãos?

R.: Tenho um livro já iniciado que se distancia completamente desse. Trata de magia e se passa nos dias de hoje. Já tenho dois ou três capítulos escritos e estou tentando encontrar tempo entre trabalho e meu filho de oito meses para voltar a escrever. Pra que vocês vejam como estou enrolado é só contar o tempo que demorei pra conseguir responder a essa entrevista.

Pergunta: Você acha que por ser um escritor nacional há uma maior dificuldade com a publicação e venda dos seus livros?

R.: Completamente. As plataformas digitais chegaram para facilitar um pouco isso, mas ainda são uma parte muito pequena do mercado editorial, principalmente no Brasil. A parte da distribuição é especialmente difícil para quem está começando. Você pode imprimir seu livro, mas isso não é garantia de que ele vai chegar ao público. Não fossem pessoas corajosas, como o Arthur Vecchi, da Avec Editora, que se arriscam em lançar novos autores enfrentando enormes dificuldades e fazendo um verdadeiro trabalho de formiguinha, estaríamos numa situação ainda pior.

Pergunta: Qual a sua maior ambição em relação ao livro Rio: Zona de Guerra?

R.: Não tenho muita ambição em relação a esse livro específico. Foi simplesmente a realização do sonho de soltar uma história minha no mundo e ver as reações das pessoas a ela. Não acho que vá me trazer fortuna. Espero que traga apenas algum reconhecimento e abra portas para as outras histórias que eu quiser colocar no papel.

Pergunta: Você pode falar um pouco sobre o livro? Como você se sente em relação a ele?

R.: Eu gosto muito da história do RIO: Zona de Guerra, mas principalmente dos personagens. O que me dá mais prazer é, antes de começar a história propriamente dita, criar as personalidades dos personagens em pequenas fichas que vão me guiar durante todo o processo de escrita. Dito isso, se eu fosse começar esse mesmo livro novamente, certamente escreveria algumas coisas de outra forma. É uma questão apenas de reforçar alguns pontos e não se concentrar tanto em outros. Provavelmente, eu vou dizer isso de qualquer livro que escreva no futuro, mas como esse foi a primeira experiência, acho que essa sensação é mais acentuada.

Pergunta: Qual é o seu tipo de literatura (o que você gosta de ler por prazer)? Ela tem influência sobre o seu trabalho?

R.: Eu gosto de ficção em geral, seja ela puxando mais para a fantasia ou até um pouco de terror. Meus livros preferidos no momento são os dois primeiros da série “A Crônica do Matador do Rei” (Livro 1 – O Nome do Vento; Livro 2 – O Temor do Sábio), do Patrick Rothfuss. Estou aguardando impacientemente o terceiro e último livro.
Acho que qualquer coisa que você lê influencia a maneira como você escreve. A maneira como os outros autores descrevem um cena ou o tipo de vocabulário que eles usam vão sempre marcar o leitor de alguma forma. Acho fantástica a forma que Stephen King e Anne Rice conseguem usar palavras de baixo calão e cenas fortes de sexo em seus textos sem que aquilo soe volgar ou fora de lugar. Quando você lê alguma coisa boa que é diferente do que você faz, isso influencia de alguma forma o que você vai escrever a seguir.

Pergunta: Você tem algum vicio de escrita, clichês ou coisas do tipo que não podem faltar no seu livro/história?

R.: Não sei se é propriamente um vício, mas alguns leitores comentaram que o meu jeito de escrever é “agil”, “sem enrolação” ou que é como “um roteiro de filme”. Eu tento mesmo escrever de forma simples e gosto que os personagens falem de um jeito comum, como falariam no mundo real. Sempre vai ter que goste e quem não goste. Também já recebi críticas de que eu deveria ser um pouco mais descritivo.

Pergunta: Deixe um recado para os leitores do livro e um convite para aqueles que ainda não o leram.

R.: Quero agradecer a todos vocês que, entre tantas opções, escolheram ler o RIO: Zona de Guerra. Esperam que tenham gostado e que procurem compartilhar suas impressões sobre o livro nas redes sociais e nos sites especializados, como o Portal JuLund.
Em relação ao convite, não vou fazer específico ao meu livro, mas a qualquer livro. Leiam. É lendo que aumentamos, mais do que qualquer outra atividade, a nossa compreensão de mundo.
Abraços em todos.

E assim finalizamos essa ótima entrevista, com o autor Leo Lopes, que foi muito atencioso e prestativo, gostaria de agradecer também ao Arthur Vecchi que colocou o Portal em contato com o autor para que a entrevista fosse possível.

Agradeço a vocês que  leram essa entrevista até o final e que com toda a certeza estão curiosos com o livro Rio: Zona de Guerra, prestigiem a obra e o autor. Deixe seu comentário e faça a todos nós felizes.

Beijinhos da Paty ;)

Paty

Pode me chamar de Paty, sou uma libriana sentimental e cabeça dura que gosta de escrever, Gosto de vampiros e anjos e tudo aquilo que me tira da realidade, livreira por vocação. Insegura e corajosa, nervosa e determinada, são as contradições que fazem de mim quem eu sou.

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