Entrevista com Giulia Moon, Vampiros, @AVEC_EDITORA

por há 3 anos e 526 leituras

Confira entrevista concedida pela autora Giulia Moon autora do conto O Dia da Caça que se encontra na Coleção Sobrenatural: Vampiros (AQUI).

 

Giulia

“Giulia Moon é escritora e ilustradora paulistana. Rabiscou contos e desenhou mangás que ficaram nas gavetas de sua adolescência até se tornar diretora de arte, ilustradora e redatora em agências de propaganda. Veterana, já obteve vários prêmios na área publicitária, onde se tornou conhecida pela criação dos personagens Lilica Ripilica e Tigor T. Tigre.
Giulia foi mordida definitivamente pela inspiração vampírica em 2000, quando começou a publicar seus contos pela internet. Reuniu depois esses contos numa coletânea, Luar de Vampiros, (edição de autor), em 2003. A partir daí, tornou-se conhecida entre os fãs de vampiros com mais duas coletâneas, já pela Landy Editora: Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros (2004) e A Dama-Morcega (2006).”

Pergunta: Uma temática tão ampla como Vampiros é difícil de escrever? Quer dizer, você (autor que está lendo a pergunta) teve dificuldades para elaborar o seu conto por causa da temática?

Bem, quase toda a minha produção literária tem vampiros como protagonistas, portanto, estou acostumada com o tema. Mas, ao contrário do que pode parecer, isso não significa que o trabalho de autor se torna mais fácil. A cada nova história, é preciso renovar, procurar novos aspectos e atrativos no mito. O vampiro, por ser tão conhecido, traz a vantagem de ter um público cativo, de ser um personagem adaptável que se presta a muitos estilos e, principalmente, de ser como ele é: perigoso, sedutor, poderoso e irresistível – enfim, um ótimo personagem. Por outro lado, o público já foi bombardeado por tantas histórias de vampiros, boas e ruins, principalmente nos últimos anos, que nós, escritores do gênero, temos que nos desdobrar para enfrentar essa saturação e apresentar algo que realmente divirta e prenda a atenção desse público. Mas é um desafio agradável, que vale a pena ser vencido.

Pergunta: Falando em vampiros, qual é o seu vampiro(a), personagem da literatura, preferido?

O meu vampiro favorito é Lestat de Lioncourt, personagem da autora americana Anne Rice. Foi ao ler o livro “O Vampiro Lestat”, que eu comecei a escrever os meus primeiros contos de vampiros. As obras de Anne Rice elevaram o mito do vampiro a um nível maior de sutileza e elegância, e continuarão a fazer sucesso por muito tempo, pois existe neles valor literário, o que não ocorre com muitas obras do gênero, voltadas apenas ao entretenimento rápido e superficial.

Pergunta: Com a mudança dos tempos não há mais uma fórmula monstro/herói, você acha que isso foi uma melhoria?

Acho que houve uma evolução nos personagens de fantasia, que saíram do preto e branco, do bandido e do mocinho, e absorveram as características humanas mais realistas, trazendo dentro de si as dúvidas, razões e emoções mais compatíveis com o mundo atual. E o vampiro evoluiu também, procurando novos caminhos. Eu considero válida toda procura pela originalidade e inovação. E, quanto a ser uma melhoria, acho que depende de cada obra. Se o resultado é uma boa história, se as mudanças não descaracterizaram o personagem vampiro, e, principalmente, se o público aceitou essa transformação. Pois o vampiro é, por excelência, um personagem popular, e foi o público quem, no final das contas, acabou sendo decisivo para a definição das suas características e a sua evolução, decretando quais vampiros seriam sucesso e quais seriam relegados ao esquecimento, desde o nascimento do personagem calcado em lendas da Europa Oriental até os dias atuais.

Pergunta: Escolha um dos personagens de seu conto e fale sobre ele.

Diego, o protagonista, é um rapaz de vinte e poucos anos, estudante de Direito, bem apessoado e entediado. Numa sexta à noite, vendo-se solitário, ele resolve sair da rotina perambulando pelo centro, perto de sua faculdade, após a última aula. Pelo caminho, Diego vai encontrando personagens típicos da fauna noturna de qualquer cidade grande, como prostitutas e bêbados, até que descobre um velho sebo fracamente iluminado e com as portas ainda abertas. Diego não resiste à tentação de explorar o local, e acaba mergulhando num mundo diferente, onde os vampiros estabeleceram uma sociedade com regras próprias. Daí em diante, o conto explora esse mundo sob o olhar humano de Diego, os olhos da “Caça” numa sociedade governada por predadores. Acho que o interessante do conto é que ele começa de forma prosaica, numa situação em que qualquer um de nós poderia estar. Mas essa realidade vai sendo subvertida à medida que os vampiros vão entrando na história, desconstruindo os parâmetros da normalidade humana.

Pergunta: Falando um pouco de você, qual é o seu tipo de literatura? O que você lê por prazer?

Eu costumo dizer que só não gosto de ler livros ruins. Não importa o gênero do livro, pois, se for bem escrito, eu não me nego a ler. Já li de tudo um pouco, mas, no momento, tenho selecionado melhor as minhas leituras por falta de tempo. Eu adoro Edgar Allan Poe, Tolkien, Neil Gaiman, Stephen King, e, claro, Anne Rice, Bram Stoker e Sheridan Le Fanu. Li quase tudo de Ray Bradbury, Arthur Clarke e Isaac Asimov. Estou explorando agora as obras de Haruki Murakami. Tento ler também as séries de sucesso e gostei bastante do “Instrumentos Mortais” de Cassandra Clare. Dos nacionais, eu leio Eric Novello, Walter Tierno, Kizzy Ysatis e Martha Argel, entre outros.

Pergunta: Esses livros e autores que você gosta influenciam na hora que você escreve?

Acho que sim. No início de carreira, fui bastante influenciada por Anne Rice. Mas agora, acontece mais raramente. Às vezes encontro certo clima, sensações, em determinados trechos dos livros que gosto e penso que gostaria de escrever algo assim. Eventualmente acabo procurando recriar esse aspecto em algum trabalho futuro. Mas não é nada muito planejado, apenas acontece ou não. E isso ocorre não apenas com livros, mas com filmes, quadrinhos, animes. Acho que, na verdade, são mais inspirações do que influências.

Pergunta: Você tem algum vicio de escrita? Algo que não possa faltar na hora de escrever, ou algum clichê que goste de usar?

Eu geralmente incluo a lua no cenário. É uma escolha consciente, uma espécie de assinatura, bastante adequada para alguém que tem “Moon” no nome. No “O Dia da Caça” a lua não aparece, pois eu queria que fosse um conto diferente. Mas, no resto dos meus escritos, a lua está quase sempre presente.

Pergunta: Como foi a experiência de participar da Coleção Sobrenatural: Vampiros?

Foi bastante agradável. Conheci pessoas interessantes, ótimos profissionais. “O Dia da Caça”, um conto antigo, que permanecia inédito há anos, reviveu, corrigido e aprimorado, o que me trouxe uma grande alegria. Tive o prazer de trabalhar pela primeira vez com Duda Falcão e Artur Vecchi, e compartilhar a coletânea com autores competentes. A recepção do público também tem sido recompensador, o que sempre dá aquela sensação gostosa de trabalho bem feito.

Pergunta: Conte para os nossos leitores, sobre suas obras já publicadas, e projetos para o futuro.

A minha série “Kaori” traz sexo, ação & fantasia na história da adolescente japonesa Kaori (em japonês: “perfume”), desde a sua transformação em vampira no Japão feudal, até as aventuras contemporâneas como uma garota de programa em São Paulo. O grande diferencial da obra, além dos elementos básicos de uma boa história de vampiros, é a descrição dos costumes e da mitologia do Japão feudal, além da ambientação e personagens brasileiros. A série tem feito sucesso também entre fãs de animes, que se vestem como os personagens da série (cosplays) nos eventos literários. Já foram publicados três livros da série: “Kaori: Perfume de Vampira” (2009) (Resenha AQUI); “Kaori 2: Coração de Vampira” (2011) (Resenha AQUI) e “Kaori e o Samurai Sem Braço” (2012)(Noticia AQUI), sendo este último um spin off com três aventuras de Kaori no Japão feudal. Outra novidade em relação a este livro é que eu assumi de vez o meu lado de ilustradora. Todos os capítulos se iniciam com ilustrações minhas, onde misturo traços inspirados em mangás e gravuras japonesas em estilo Ukyo-e.

O meu livro solo mais recente é a coletânea “Flores Mortais”, lançado pela Giz Editorial na Bienal do Livro 2014, um retorno às minhas origens de contista. Traz 13 contos vampirescos, alguns inéditos e outros repaginados, pinçados da minha produção de 2000 a 2014. São histórias de ação, aventura e amores nem sempre bem resolvidos, cujas protagonistas personificam diferentes facetas do universo feminino. Todos os capítulos trazem também ilustrações minhas.

E tem, claro, a participação na “Coleção Sobrenatural – Vampiros” da Avec, que fecha o meu ano de forma muito boa.
O meu projeto atual é um novo romance de aventuras, que ainda está em fase embrionário, por isso não posso adiantar muita coisa. E há também o terceiro livro da série Kaori, que fechará o arco dessas aventuras da vampira nipônica.

Gente! Eu não fazia idéia de que a Coleção Kaori era nacional! Já estava com muita vontade de ler esta coleção, agora estou mais ansiosa ainda! Acima você encontra as capas dos livros da autora Giulia, e as cosplayers  Patty Kawasume (kitsune Omitsu (de quimono branco)) e Kaya Terachi (Kaori (de vestido vermelho)).

Você pode acompanhar a autora em seu Blog Phases da Lua (AQUI), em seu Web Site (AQUI), em seu Facebook (AQUI) e em seu Twitter (AQUI). Eu adorei essa conversa com a Giulia, estou muito curiosa com seus livros e tenho que dizer que ela desenha muito! Adoro desenhos japoneses de qualquer tipo e ela arrasa neste quesito com toda a certeza! E você o que achou da entrevista?

Beijinhos da Paty ;)

Paty

Pode me chamar de Paty, sou uma libriana sentimental e cabeça dura que gosta de escrever, Gosto de vampiros e anjos e tudo aquilo que me tira da realidade, livreira por vocação. Insegura e corajosa, nervosa e determinada, são as contradições que fazem de mim quem eu sou.

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