Review II Liga da Justiça – com spoiller

por há 3 semanas e 61 leituras

Sinopse: Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman, Bruce Wayne convoca sua nova aliada Diana Prince para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Título: Justice League

Português: Liga da Justiça

País de Origem: EUA

Gênero: Ação

Ano de Produção: 2017

Classificação: 12 anos

Tempo de Duração: 121 min

Direção: Zack Snyder

Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Henry Cavill, Jason Mamoa, Ezra Miller, Ray Fisher, Ciarán Hinds, J.K. Simomns, Amber Heard, Amy Adams, Diane Lane, Jeremy Irons, Joe Morton, Billy Crudup, Robin Wright, entre outros.

Antes de Liga da Justiça chegar aos cinemas do mundo inteiro aconteceram algumas tentativas frustadas. A primeira foi no ano 1979, que seguia o tom de comédia da série do Batman do Adam West.  Em especial para a televisão, dividido em dois episódios, os heróis enfrentavam um grupo de vilões que pretendiam destruir o mundo.

Em 1997 uma nova tentativa foi feita. Dessa vez como um piloto de uma futura série, mas a recepção foi tão fraca que a série foi cancelada antes mesmo do lançamento. No seriado do Smallville, ano 2001 até 2011, o jovem Clark Kent reúne um grupo de heróis chamados de Liga da Justiça e às vezes chamados de Super Amigos.

Mas foi em 2007 que veio a mais famosa adaptação. Liga da Justiça: Mortal, foi dirigido por George Miller, mas o longa passou por diversos problemas e atrasos na produção e a Warner acabou cancelando o projeto.

O texto a seguir contêm SPOILER DE LIGA DA JUSTIÇA.

Depois de muita espera e alguns problemas durante a produção, finalmente Liga da Justiça chegou se tornando o quinto filme do Universo DC nos cinemas. Começando em 2013 com Homem de Aço, dono de um visual realista e com um Superman sem conhecer os seus poderes e as consequências dos seus atos e escolhas.

O filme dividiu o publico e a crítica e em 2016 recebeu a sua sequência intitulada Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça. Desta vez ainda mais controverso e dono de uma trama muito complexa, com uma fotografia escura e a resolução da briga entre os heróis de maneira simples e pouco criativa. Ainda assim merece um destaque para as cenas de ação.

Também em 2016 veio a jogada mais arriscada: Esquadrão Suicida. Dono de um roteiro cheio de furos e  personagens desnecessários para trama, que estavam ali para vender o filme. Um bom exemplo é o Coringa de Jared Leto.

Faltou, principalmente, uma escolha de tom ao longa, mas mesmo assim conseguiu apresentar alguns personagens poucos conhecidos e que ficaram muito bons. Em 2017 chegou a vez da Mulher Maravilha ganhar o seu filme solo e realmente provar que o Universo DC ainda podia ter esperança. Um longa bem equilibrado entre humor e ação e a apresentação da sua protagonista, feita de maneira espetacular, mostrando realmente do que ela é capaz.

Com o afastamento de Zack Snyder da direção do longa por problemas pessoais, a finalização do projeto ficou a cargo de Joss Whedon que entrou para pequenas regravações e finalização, mas o que se vê em Liga da Justiça é algo bem diferente.

É notável as interversões que Joss Whedon faz no longa, seja em roteiro ou até mesmo na diferença de tom que o filme ganha em relação aos seus antecessores. Inicialmente o longa teria em torno de 170 min, mas seu corte final acabou tendo 121 min, algo que acabou prejudicando o desenvolvimento da maioria dos personagens, pois alguns foram literalmente cortados da trama como o caso de Vulco vivido por Willen Dafoe.

Outros tiveram muito pouco tempo de tela, como o caso de Jim Gordon vivido por J.K. Simmons. Mas o pouco tempo de duração do longa não é o único problema. Dono de efeitos especiais e CGI bizarro em algumas cenas e as vezes até mesmo mal renderizado, o vilão Steppenwolf vivido por Ciarán Hinds foi totalmente produzido em CGI e captura de movimentos, mas sua renderização está horrível, o personagem não possui nem sequer textura de pele ou da armadura que ele usa e fora a sua dublagem que as vezes não acerta o movimento com o som.

Cyborgue, vivido por Ray Fisher, passa por algo semelhante, em algumas cenas. Seu CGI está meio estranho, mal renderizado também e ainda temos nessa parte dos efeitos visuais o bigode do Superman vivido por Henry Cavill. Devido a uma questão contratual com seu novo filme, o ator não podia retirar o bigode e com isso a produção resolveu retirar o bigode digitalmente. O resultado está aparente e ainda prejudica o movimento labial do ator.

Depois desses problemas, chegamos a um roteiro que não se arrisca, prefere fazer o feijão com arroz e tá bom. Diferente do seu antecessor Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça que optou por uma escolha mais realista e complicada.

Mas não estou dizendo que o feijão com o arroz do filme é ruim, mas poderia ter colocado um bife junto, ou seja, criar uma virada ou duas no longa, só pra tirar a sensação de filme episódico, que você assiste, fica empolgado na hora e depois esquece. A forma como o Superman volta é muito sem graça, poderiam ter arriscado com o traje preto dele, pelo menos teria um ovo nesse feijão com arroz.

O roteiro ainda acrescenta uma quantidade de humor que por vezes é exagerada. Um exemplo desse exagero é quando o Batman, vivido por Ben Affleck, vai entrar no carro com o Flash, vivido por Ezra Miller, e a seguinte frase é dita por Flash :”Qual o seu super poder?” Batman responde “Eu sou rico!”.  Não e não. O Batman tem inúmeras qualidades pra ser resumido apenas em “rico”, fora as outras piadas que não tem o time certo, embora algumas funcionem muito bem.

Embora muitos questionem a escolha do elenco vale ressaltar que juntos funcionam. Batman (Ben Affleck) continua muito bem, mesmo agora tendo um pouco mais de humor. Pena que às vezes as piadas não tem o time certo.

Aquaman, vivido por Jason Momoa, inicia muito bem com um personalidade forte, meio bárbara até, mas logo começa a fazer algumas piadinhas que não servem ao personagem. Mas como atuação ele vai muito bem e seu carisma segura bem as pontas.

Mulher Maravilha, vivida por Gal Galdot, continua espetacular, embora nesse filme ela seja um pouco sexualizada com algumas filmagens feitas de alguns ângulos desnecessários. Mas sua atuação continua equilibrada entre humor e seriedade.

Flash (Ezra Miller) é o alivio cômico do grupo. É notável a quantidade de caras e bocas que o ator faz, totalmente perceptível quando ele está com medo, admirado ou empolgado. Mas tenho que admitir que ele poderia ter menos piadinhas.

Cyborgue (Ray Fisher) é um dos personagens com mais peso dramático, mas logo perde o peso e começa a fazer piadas, algo que não precisava e podia ser melhor explorado sua relação com o pai.

Vale um destaque maior ao Superman (Henry Cavill) que finalmente ganha uma versão de esperança e de fé que é vista nos quadrinhos e até mesmo nos desenhos animados e isso acontece graças ao roteiro, que o transforma em um símbolo novamente.

O vilão Steppenwolf (Ciarán Hinds) é bem genérico e com uma motivação pequena, mas ele funciona bem ao que o roteiro propõe pra ele, ou seja ser a escada que vai reunir a Liga da Justiça. Sua ameaça, que era pra ser global, acaba sendo com apenas uma família. Ou seja, algo que poderia ser deixado de lado, afinal o resto do mundo tava nem sabendo o que tava acontecendo.

Novamente os figurinos estão espetaculares e a trilha sonora fica devendo um pouco, mas cumpre o papel. A fotografia inicia excelente dando identidade a cada lugar, mas depois que o grupo se reune fica tudo num único tom. Não que isso prejudique o filme, mas poderia ser executado de outra forma.

Algumas cenas vistas nos trailers não fazem parte do corte final do filme, o que realmente é uma pena, afinal tinha coisa boa ali. O filme possui duas cenas pós créditos.

Liga da Justiça possui problemas de direção, roteiro, produção, efeitos visuais, fotografia e até mesmo na trilha sonora, mas mesmo com tudo isso os atores deram o seu máximo e o resultado final é positivo. Ainda dá pra acreditar nesse universo tão rico e que ainda tem muito a ser explorado nas telonas.

Liga da Justiça ganha nota 3 em 5.

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