Review de Ela

por há 3 meses e 128 leituras

Sinopse:

“Em Los Angeles, o escritor solitário Theodore desenvolve uma relação de amor especial com o novo sistema operacional do seu computador. Surpreendentemente, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa, uma entidade intuitiva e sensível, chamada Samantha.”

Até onde o que conhecemos como relações afetivas podem determinar nossas ações e em que momento essas escolhas nos tornam tão submersos em incertezas simbólicas? Her, filme dirigido e roteirizado por Spike Jonze, tenta não responder esses questionamentos, mas trazê-los a tona. Conta a história de Theodore (Joaquin Phoenix), um escritor ainda deprimido com o escape daquela que ele julgava ser a mulher de sua vida (Rooney Mara).

 

Levado pelo impulso e a carência, ele acaba equipando o seu computador com um avançado sistema operacional que possui um AI (Artificial Intelligence) que tem por finalidade auxiliar, aprender e evoluir conforme o convívio com seu cliente, no caso, o próprio Theodore.

Samantha, a inteligência artificial que acompanha nosso protagonista, tem como característica principal a sua voz rouca, que sussurra as exatas palavras que Theodore gostaria de ouvir. Não tarda para que ele esqueça que se trata de uma personificação gerada por um computador, que profere sentenças através de um fone de ouvido e, como consequência, de uma insuficiência afetiva, ele se apaixona.

JOAQUIN PHOENIX as Theodore in the romantic drama “HER,” directed by Spike Jonze, a Warner Bros. Pictures release.

Antes de mais nada, é importante estabelecermos uma relação entre o roteiro e a fotografia da película. É comum que passe despercebido os tons e a coloração das cenas, tendo em vista que nós estamos mais preocupados com os personagens ou até mesmo em acompanhar a legenda. A fotografia de Her é quase que inteiramente modificada pelo contraste das cores quentes (mais especificamente do amarelo e do vermelho), tonalidades que expressam um grau de aproximação, quase como um abraço caloroso. Já as cores frias,são utilizadas em momentos que demonstram solidão ou distanciamento, gerando uma reflexão sobre o nosso próprio conceito do que significa um sentimento. As cores nos trazem uma atmosfera equivalente aos momentos felizes e tristes da trama.

O enquadramento e movimento das câmeras tem uma certa preocupação em mostrar casais juntos, enquanto Theodore está relativamente sozinho, transparecendo o vazio interno do próprio personagem. Isso também é esclarecido quando decidem filmar ele caminhando sempre em uma direção diferente das pessoas ao seu redor, demonstrando o quão perdido ele está. A cidade e outros elementos, não tão significantes neste enquadramento são desfocados, de maneira que apenas o Theodore e suas expressões faciais são o foco. Restringindo as poucas cenas em que ele e a cidade estão focados igualitariamente. Poucos momentos que ele não se sente rejeitado e aceita o ideal de que “não se pode ter tudo o que se quer”. Esse tipo de filmagem desvia sua atenção para os sentimentos,que embora sejam abstratos,formam a maior das intenções para este filme.

 

Her é sobre a flexibilidade do complexo ato de amar, observamos que hoje não é comum, mas que pode se tornar uma futura realidade. Mais que um longa metragem vencedor de três prêmios, incluindo o Oscar e o Globo de Ouro por melhor roteiro original, Her é um filme sobre sentimentos, mais especificamente sobre o amor. Um filme que em 126 minutos bem dirigidos, nos rende milhares de pensamentos.

É normal termos a sensação de que o relacionamento entre Theodore e Samantha é um tanto distópico, quando na verdade, é a nossa realidade, nós não percebemos porque estamos vidrados em uma situação envolvendo um personagem, e não você, propriamente dito. A questão é que, assim como Theodore, nós temos a preferência por atividades que representam uma gratificação instantânea.

Nós buscamos preencher nosso vazio com histórias, sejam elas em forma de músicas, filmes ou até mesmo uma personificação física ou psicológica. Precisamos de algo que nos faça sentir representados, compreendidos e acompanhados. A carência humana por histórias não é de hoje, creio que seja uma característica que carregamos e aperfeiçoamos ao passar dos anos. Quando não achamos, nós criamos algo que nos complete, pois nós temos a incrível necessidade de possuir algo que nos lembre que não estamos sozinhos.

 

 

Roteiro: Spike Jonze
Produção: Megan Ellison,Spike Jonze,Vincent Landay
Fotografia: Hoyte Van Hoytema
Trilha Sonora: Owen Pallett
Estúdio: Annapurna Pictures
Ano de produção: 2014
Gênero: Comédia Dramática; Romance
Montador: Eric Zumbrunnen, Jeff Buchanan
Distribuidora: Sony Pictures

 

 

 

OBS: Essa é minha primeira postagem no site,espero que gostem kkk

Clarisse Ventura

Clarisse Ventura,17 anos(bem jovem até), Caruaru - PE. Mera mortal,estudante e escritora de resenhas nas horas vagas. Futura historiadora e quem sabe até role um "bico" de cineasta. Nova colunista por aqui e espero que gostem do meu trabalho e que a força esteja com vocês.

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